Painel da Família e Menores

Crianças, famílias e tribunais em Portugal, em números, em linguagem simples

Fontes dos dadosComissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CPCJ), Segurança Social (relatório CASA), Conselho da Europa (CEPEJ), Tribunal da Relação de Coimbra, Estatísticas da Justiça (DGPJ); a seguir, INE e CIG
Frequência de atualizaçãoJurisprudência todas as semanas; estatísticas da justiça todos os meses; relatórios das CPCJ e CASA uma vez por ano
Página gerada01.11.2026, 20h57 UTC
Regra dos factosSó números públicos e oficiais, sem nomes nem casos individuais. Cada número diz a fonte e a página; nada sobre processos concretos, que são reservados por lei.

Gaspar do Amaral · © Aprecisa.com · com recurso a IA

Dez perguntas para quem procura um tribunal de família e para quem lá trabalha: quanto tempo demora, quantas crianças precisam de proteção, como decidem os tribunais e como estamos face à Europa. Os processos de família são reservados por lei; este painel mostra apenas números públicos e decisões publicadas, nunca casos concretos.

  1. Quanto tempo demora um processo de responsabilidades parentais?
  2. Quantos processos entram, terminam e ficam à espera nos tribunais de família e menores?
  3. Quantos processos são de incumprimento, e o que fazer quando a pensão não é paga?
  4. Quantas crianças estão em perigo, e porquê?
  5. Quantas crianças estão acolhidas, e por quanto tempo?
  6. Como mudaram as famílias: divórcios e famílias monoparentais por concelho?
  7. O que decidem os tribunais superiores em casos parecidos?
  8. Onde fica o meu tribunal, e há mediação familiar?
  9. Violência doméstica e crianças: que ligação há com os processos de família?
  10. Portugal está melhor ou pior do que a Europa?

Quanto tempo demora um processo de responsabilidades parentais? dados do 2.º trimestre de 2026

7 meses

durava, em média, um processo tutelar cível terminado no 2.º trimestre de 2026 nos tribunais de 1.ª instância de todo o país. É a categoria da regulação das responsabilidades parentais, dos alimentos para filhos menores, da adoção e da filiação. No 1.º trimestre de 2007 eram 11 meses; o máximo foi de 14 meses, no 3.º trimestre de 2010.

Duração média dos processos terminados, em meses, por trimestre

0510152020072009201120132015201720192021202320257 m5 m

Processos tutelares cíveis · Divórcios e separações

O que o gráfico mostra: cada ponto é o tempo médio, do dia em que o processo entrou ao dia em que terminou, dos processos que terminaram nesse trimestre. Entre 2007 e 2014, um processo tutelar cível levava 9 a 14 meses; desde 2018 leva 6 a 8. Os divórcios e separações fizeram o mesmo caminho: de 11 meses no 1.º trimestre de 2007 para 5 no 2.º trimestre de 2026. O salto de 2014 coincide com a entrada em vigor do novo mapa judiciário (1 de setembro de 2014), quando muitos processos mudaram de tribunal. A justiça de família está hoje claramente mais rápida do que há quinze anos.

Fonte: Duração média (meses) dos processos findos nos tribunais judiciais de 1.ª instância (a partir de 2007).

Como ler este número

  • Há um ano, no 2.º trimestre de 2025, eram 6 meses.
  • A DGPJ publica a duração em meses inteiros e para todo o país. Não publica a duração só da regulação das responsabilidades parentais, nem por comarca.
  • É uma média: os processos urgentes (por exemplo, com perigo para a criança) andam mais depressa; os que têm perícias, audições ou recursos demoram mais.
  • A duração por comarca está em preparação, a partir dos relatórios anuais de cada comarca.

Na sua vida: se hoje pedir a regulação das responsabilidades parentais, a média nacional aponta para cerca de 7 meses até ao fim do processo. Um acordo entre os pais, na conferência do tribunal ou na mediação familiar, encurta esse tempo.

Quantos processos entram, terminam e ficam à espera nos tribunais de família e menores? dados do 2.º trimestre de 2026

25 133

processos tutelares (cíveis, de promoção e proteção e tutelares educativos) estavam à espera de decisão nos tribunais de 1.ª instância no fim do 2.º trimestre de 2026. No fim do 1.º trimestre de 2007 eram 48 546: a fila encolheu 48 %.

Processos pendentes no fim de cada trimestre

020 00040 00060 000200720092011201320152017201920212023202521 9903 1042 870

Tutelares cíveis · Promoção e proteção · Divórcios e separações

O que o gráfico mostra: quantos processos ficaram por decidir no último dia de cada trimestre: é a fila de espera. A fila dos processos tutelares cíveis caiu para pouco mais de metade desde 2007; a de promoção e proteção, que protege crianças em perigo, também desceu muito. Os pequenos dentes em cada ano são o 3.º trimestre: com as férias judiciais (16 de julho a 31 de agosto) só correm os processos urgentes, terminam menos processos e a fila sobe um pouco. O pico de 2014–2015 coincide com o novo mapa judiciário, que entrou em vigor a 1 de setembro de 2014.

Fonte: Movimento de processos nos tribunais judiciais de 1.ª instância.

O 2.º trimestre de 2026, por tipo de processo

Tipo de processoEntradosTerminadosPendentes no fimPendentes há um anoTerminados por cada 100 entrados
Tutelares cíveis10 33810 76021 99021 292104 (10 760 ÷ 10 338 × 100)
Promoção e proteção2 4772 5562 8702 707103 (2 556 ÷ 2 477 × 100)
Tutelares educativos344386273318112 (386 ÷ 344 × 100)
Divórcios e separações1 7051 8863 1043 077111 (1 886 ÷ 1 705 × 100)

Como se lê a última coluna: divide-se os terminados pelos entrados e multiplica-se por 100. Nos tutelares cíveis, 10 760 ÷ 10 338 = 1,041; × 100 = 104. Acima de 100, o tribunal acabou mais processos do que os que entraram, e a fila diminui; abaixo de 100, a fila cresce.

Conta da fila: (48 546 − 25 133) ÷ 48 546 × 100 = 48,2 % a menos do que no 1.º trimestre de 2007.

Fonte: Movimento de processos nos tribunais judiciais de 1.ª instância.

Na sua vida: quando entram menos processos do que os que terminam, a fila encurta e cada novo caso espera menos. É o primeiro número a olhar para saber se o tribunal está a dar conta do trabalho.

Quantos processos são de incumprimento, e o que fazer quando a pensão não é paga? dados de 2025

10 373

incidentes de incumprimento das responsabilidades parentais terminaram nos tribunais em 2025: um pai ou uma mãe não cumpriu o que estava decidido (a pensão, as visitas, a residência). Por cada 100 regulações terminadas, terminaram 88 incumprimentos; são 34,4 % de todos os processos de responsabilidades parentais terminados.

Processos de responsabilidades parentais e de alimentos terminados, 2024 e 2025

Regulação das responsabilidades parentais12 27511 784Alteração da regulação7 8877 187Incumprimento da regulação11 17510 373Fixação de alimentos373325Alteração de alimentos a menores7555

2024 · 2025

O que o gráfico mostra: quantos processos de cada tipo terminaram em cada ano. O incumprimento é quase tão frequente como a própria regulação: decidir não chega; muitas decisões têm de voltar ao tribunal para serem cumpridas. A pensão dos filhos menores faz parte da regulação das responsabilidades parentais; por isso, quando não é paga, o processo aparece como incumprimento da regulação, e não como incumprimento de alimentos.

Fonte: Processos tutelares cíveis findos nos tribunais judiciais de 1.ª instância.

As contas, passo a passo

  • Incumprimentos em 2025, somando os quatro trimestres: 2 979 + 2 818 + 1 537 + 3 039 = 10 373.
  • Regulações em 2025: 3 357 + 3 181 + 1 756 + 3 490 = 11 784.
  • Por cada 100 regulações: 10 373 ÷ 11 784 × 100 = 88,0.
  • Todos os processos de responsabilidades parentais em 2025: 8 707 + 8 066 + 4 536 + 8 828 = 30 137; peso do incumprimento: 10 373 ÷ 30 137 × 100 = 34,4 %.

Não é a percentagem de regulações que acabam em incumprimento: a DGPJ não segue cada processo. É a comparação, no mesmo ano, entre os processos de cada tipo que terminaram. As somas incluem os processos ainda registados com a designação antiga («poder paternal», anterior a 2008), que a DGPJ conta em linha à parte.

Quando a pensão não é paga

  • Pedir ao tribunal que decidiu a pensão o incidente de incumprimento (artigo 41.º do Regime Geral do Processo Tutelar Cível, Lei n.º 141/2015).
  • O tribunal pode mandar descontar a pensão diretamente no vencimento, na pensão ou noutros rendimentos de quem deve (artigo 48.º do mesmo regime).
  • Se mesmo assim não houver pagamento, o Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores (Lei n.º 75/98) pode pagar no lugar de quem deve, a pedido feito ao tribunal; depois, o Estado cobra-lhe a dívida.
  • Deixar de pagar a pensão pode ser crime de violação da obrigação de alimentos (artigo 250.º do Código Penal).
  • Quem não tem meios pode pedir apoio judiciário na Segurança Social.

Na sua vida: uma decisão do tribunal sobre os filhos é para cumprir. Quando não é cumprida, o caminho é voltar ao mesmo tribunal; se for a pensão, há forma de a descontar no ordenado e, em último caso, o Fundo de Garantia paga.

Quantas crianças estão em perigo, e porquê? dados de 2025

62 204

comunicações de perigo chegaram às 313 comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ) em 2025. As comissões movimentaram 94 743 processos, 60 250 deles novos (64 %). A primeira causa é a negligência; a segunda, a violência doméstica.

Situações de perigo comunicadas, por tipo

Número de sinalizações; cada criança pode ter mais do que uma.

Negligência19 10720 975Violência doméstica17 29517 450Comportamentos de perigo11 79513 171Direito à educação7 2467 304Maus-tratos físicos3 2823 788Maus-tratos psicológicos1 9812 322Abuso sexual1 3291 344Abandono7131 072Exploração infantil79103Casamento precoce ou forçado054

2024 · 2025

Em 2025 subiram quase todas as tipologias. O casamento precoce ou forçado aparece pela primeira vez (54 casos), porque a lei passou a considerá-lo perigo.

Fonte: CNPDPCJ, Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ 2025, p. 8, 9 e 68–69.

O que as comissões decidiram

  • 18 dias em média até à primeira decisão.
  • 28 379 diagnósticos; 45,3 % com proposta de medida.
  • 32 915 medidas aplicadas: 85,3 % de apoio junto dos pais e 7,9 % junto de outro familiar.
  • 6 420 medidas por violência doméstica, a tipologia que mais levou a medidas.
  • 654 medidas cautelares e 266 procedimentos de urgência.

Fonte: CNPDPCJ, Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ 2025, p. 8, 9 e 68–69.

Famílias de acolhimento

114

medidas de acolhimento familiar aplicadas pelas CPCJ em 2025, contra 96 no ano anterior. O número duplicou em cinco anos, mas continua pequeno face ao acolhimento em casas.

Fonte: CNPDPCJ, Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ 2025, p. 8, 9 e 68–69.

Na sua vida: se uma criança corre perigo, qualquer pessoa pode comunicar à CPCJ do concelho, às forças de segurança ou ao Ministério Público. A comissão decide em média em 18 dias e, na maioria dos casos, a medida é apoiar a própria família.

Quantas crianças estão acolhidas, e por quanto tempo? dados de 2024

6 349

crianças e jovens viviam em acolhimento em 2024, longe da família, por decisão de uma CPCJ ou de um tribunal: menos 97 do que em 2023 (-1,5 %).

20236 44620246 349

A 1 de novembro de 2023 havia 6 446 crianças e jovens em 723 casas e famílias de acolhimento; só 11 % estavam numa família de acolhimento.

Fonte: Instituto da Segurança Social, Relatório CASA 2023 — Caracterização Anual da Situação de Acolhimento, p. 15–17.

Fonte: Relatório CASA 2024, citado pela Renascença (11/09/2025).

Porque é que importa

As orientações das Nações Unidas pedem que as crianças pequenas vivam em família, e não em instituições. Portugal tem uma das percentagens mais baixas de acolhimento familiar da Europa: quase nove em cada dez crianças acolhidas vivem em casas de acolhimento.

O tempo de acolhimento e as saídas (regresso à família, adoção, autonomia) vêm por idade no relatório CASA; entram no painel na próxima versão.

Na sua vida: uma criança só deve ser acolhida quando o perigo não se resolve em casa. Quem quiser ser família de acolhimento pode candidatar-se na Segurança Social ou nas instituições de enquadramento.

Como mudaram as famílias: divórcios e famílias monoparentais por concelho? em preparação

Taxa de divórcio, casamentos, nascimentos fora do casamento e famílias monoparentais, por concelho e ao longo do tempo. Ajuda a perceber de onde vem a procura nos juízos de família.

Fonte prevista: INE (API pública) e Eurostat. A ligação ao INE está em teste; a série mais recente encontrada chega a 2013 e está a ser procurada a atual.

O que decidem os tribunais superiores em casos parecidos? recolha automática semanal

46

acórdãos recentes do Tribunal da Relação de Coimbra sobre responsabilidades parentais, alimentos, incumprimento e promoção e proteção, com ligação para o texto. A lista atualiza-se todas as semanas.

Os mais recentes

Fonte: Tribunal da Relação de Coimbra (sumários publicados em trc.pt).

Os acórdãos das outras Relações e do Supremo estão na base de dados da DGSI (dgsi.pt); entram no painel quando a sua pesquisa aceitar recolha automática.

Na sua vida: antes de um processo, ler como os tribunais decidiram casos parecidos ajuda a perceber o que conta: o superior interesse da criança, a audição da criança, o contraditório e as provas.

Onde fica o meu tribunal, e há mediação familiar? em preparação

O juízo de família e menores competente para cada concelho, com morada e contactos, e os serviços de mediação familiar disponíveis.

Fonte prevista: Mapa judiciário (Portal da Justiça e tribunais.org.pt) e Sistema de Mediação Familiar (DGPJ).

Violência doméstica e crianças: que ligação há com os processos de família? em preparação

Participações de violência doméstica, vítimas menores e processos urgentes de responsabilidades parentais quando há violência. As CPCJ já mostram 17 450 sinalizações de violência doméstica em 2025 (pergunta 4).

Fonte prevista: Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (relatórios trimestrais) e Relatório Anual de Segurança Interna.

Portugal está melhor ou pior do que a Europa? dados de 2023

267 dias

é o tempo estimado para resolver um processo cível em primeira instância em Portugal, perto da mediana da União Europeia (247 dias). Nos recursos, Portugal é muito mais rápido do que a mediana europeia.

Processos cíveis contenciosos: dias para resolver (2023)

1.ª instância2472672.ª instância (Relação)204913.ª instância (Supremo)23477

mediana da UE · Portugal

Os processos de família estão incluídos nos cíveis; a CEPEJ não publica um valor só para família em Portugal.

Fonte: CEPEJ (Conselho da Europa), ficha de Portugal para o Painel de Avaliação da Justiça da UE, dados de 2023, p. 17.

Na sua vida: um processo cível de primeira instância demora, em média, cerca de nove meses em Portugal; os processos de família urgentes devem andar mais depressa.